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5 qualidades Bem Phynas pra praticar no carnaval!

Carnaval tá aí. Folia tá garantida. Blocos a todo vapor.

É gostoso esse universo de purpurina, alegria e muita liberdade pra viver como se não houvesse amanhã! Geral saindo bem phyna com sua purpurina da papelaria importada da China com brilho transcendental. No fim, todo mundo brilha igual. 

Eu amo essa sensação. Um mundo lúdico. Como se a gente voltasse a ser criança.
O carnaval nos dá permissão para sermos criadores de uma realidade em que a alegria é o foco. 

Todo mundo tá compartilhando mundos nessa ludicidade carnavalesca.  Às vezes penso que a verdadeira democracia deveria ser baseada no carnaval. Aqui, todos são iguais no seu direito de criação. Aqui, a empolgação e cantoria acabam sendo regentes de um sistema que caoticamente se organiza como em um passe de mágica. Aqui, temos permissão pra compartilhar todo esse universo alegre com o outro. Os outros. 

No carnaval aplicamos a coletividade como mestres. As pessoas constroem carros alegóricos, fantasias de alta tecnologia com luz de LED até no fio de cabelo e tudo sempre dá certo. Mesmo quando não dá.
Até quem não se organizou, sai fantasiado. Nem que seja preciso usar todo o papel alumínio da cozinha ou a cortina de renda do banheiro da vó.

E é por isso que eu acredito que criar pode partir de um lugar onde se leve em consideração o que acontece nos outros 360 dias de existência sem purpurina das nossas vidas pós carnaval.
Em pleno 2018, a criatividade pode e deve se utilizar dos avanços históricos já ocorridos. Né não? O nome disso é evolução. 

Mas por que eu to falando de evolução em pleno carnaval, Brasil?! Quanto riso, oh quanta alegria!!!! Deixa o povo ser feliz, deixa o riso correr solto. Tá tudo politicamente muito correto! Chato! Mi mi mi…

Pois é, gente. Não tá não. 

Se tivesse politicamente correto não ia ter preconceito, racismo ou opressão contra maiorias consideradas minorias, ou maiorias reduzidas a minorias. Porque a política, na verdade, seria algo pra nos ajudar a avançar como sociedade. Para estabelecer, em conjunto, sistemas sociais que fizessem sentido sobretudo para os cidadãos. Mas, na atual conjuntura, todo mundo sabe que a história não é bem essa! 

A gente se esquece que o ano todo as pessoas que sofrem preconceito, racismo, opressão e violência são aquelas que se sentiram ofendidas por alguma razão com a mina fantasiada de cabelo Black power, o coleguinha com cara pintada de carvão, o penacho de cocar indígena na cabeça da amiga, o rabo de macaco na fantasia da criança negra, cordões de miçanga e charuto na mão do irmão etc. 

Existe um limite cultural que demarca uma linha na qual uma determinada etnia, escolha sexual, simbologia sagrada e qualidade estética devem ser respeitadas como reais. Como parte de um estilo de vida, por escolha ou simplesmente por fatores existenciais. Para saber que aquela pessoa é daquela forma todo dia, não só no carnaval. 

E eu, como cidadã brasileira desse mundão, devo respeitar esse fato. Minha responsabilidade passa por aí. 

Então, reforçar estereótipos racistas, misóginos e homofóbicos, assim como intolerância religiosa, não faz sentido se queremos que alguma coisa mude pra melhor nos 360 dias do ano em que a gente não tá cantando e virando noites nos blocos da vida. 

A política somos nós que criamos, já que os interesses dos que governam não casam com os da sociedade. Vamos ter que assumir essa responsa aí – nos pequenos e grandes gestos.

Refletir sobre isso me leva a compartilhar aqui uma lista amiga de qualidades pra praticar neste carnaval: 

Empatia: sei que essa foi a palavra de 2017. Todo mundo fala nessa bendita. Mas o que é, afinal, este conceito tão difícil de se entender?  Foram descobertos sem querer querendo em uma pesquisa da Universidade de Parma, na Itália, uns tais de Neurônios Espelho. Eles estão localizados no córtex frontal inferior do cérebro.
Os neurônios espelho são as células encarregadas de nos fazer bocejar quando vemos outra pessoa bocejar, ou que faz com que nos peguemos imitando um gesto de alguém próximo a nós sem saber o porquê
Além disso, os neurônios espelho desempenham um papel fundamental na psicologia, relacionado à parte comportamental, como é o caso da empatia, do aprendizado por imitação, do comportamento de ajuda para com os demais, entre outros, assim demonstrando mais uma vez que nós somos seres sociais.
Tá vendo? Chega e troca uma ideia. Faz bem poder ouvir o ponto de vista do outro, mesmo se não concordar. Pelo menos assim já da pra saber quais os valores daquele coleguinha. E aplica-se naquela situação o poder de escolha. 

Respeito: R-E-S-P-E-C-T, já dizia Aretha Franklin. Simplesmente entender que existe o direito de escolha. Goste você ou não. Eu tenho, tu tens, nós temos. Ponto. 

 

 

 

Bom senso: Ah, o bom e velho senhor que está agonizando a ponto de sofrer eutanásia social. O bem comum se reflete em bem estar geral. Todo mundo saudável, tranquilo e livre pra decidir onde ir, com quem estar, quando fazê-lo. Se a maioria focar nisso, a gente resgata o bom velhinho da cama de hospital rapidinho. 

 

 

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Gentileza: Já dizia o Profeta: gentileza gera gentileza. Tratar as pessoas de forma gentil é algo muito bom pra gente. Dá uma sensação boa no coração, melhora o humor… Praticar a gentileza na hora de pular carnaval é ser bem phyna! 

 

 

Consciência: Ter consciência é estar no caminho de evolução mexxxmo! Quando a gente aprende uma coisa, isso entra na nossa consciência e, a partir daí, as sinapses nervosas já se organizam de outro jeito. Criam-se novas, morrem as antigas. E isso nos permite agir diferente. Então nem adianta fingir que não leu pelo menos um dos 4.994 textos diários no Facebook que dão o papo reto sobre machismo, preconceito, racismo, intolerância etc. 

 

 

Teu cérebro já assimilou a informação…agora a consciência é quem manda! 

 

 


JULIANA LUNA 

Luna é estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural. Nativa do Rio de Janeiro. Estudou dança na UFRJ e na Germaul Barnes Dance company em NYC. Atualmente, mora entre os Estados Unidos e o Brasil e viaja o mundo criando experiências compartilhadas para pessoas de todo tipo de estilo de vida. Seus nortes são: intuição, sabedoria ancestral, conhecimento por experiência global e a arte dos turbantes. Em maio de 2015, foi convidada para uma viagem de reconexão com suas raízes ancestrais. Através de um teste de DNA, descobriu que seus ancestrais vieram da Nigéria, do grupo étnico iorubá. Por mais de 5 anos, trabalhou ensinando pessoas, principalmente mulheres, a fazer amarrações de tecido na cabeça. Em estilo africano. Há pouco tempo percebeu que isso faz todo sentido. Tudo está conectado. Vive de aprofundar seus laços entre o Brasil e a Nigéria. E este é apenas o começo da jornada.

Um comentário sobre “5 qualidades Bem Phynas pra praticar no carnaval!

  1. Texto lúcido, e inteligente. Parabéns Bem phyna pela iniciativa.
    Abraços,
    Regina

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