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A diversidade nas passarelas: como as semanas de moda estão mudando

Com a nomeação de Virgil Abloh (Off-White) como o novo diretor criativo da Louis Vuitton também vem o marco do primeiro afro-americano ter conquistado esse posto na grife. Junto a isso, também os desfiles das coleções de inverno 2018 têm incluído mais modelos negros do que anteriormente observado.

Como contabilizado pelo The Fashion Spot, de 242 desfiles e 7.608 modelos trabalhando nas semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, 32,5% do casting foi composto por modelos de outras etnias, o que representa um crescimento de 2,3% da edição de primavera 2018, na qual existia uma participação de 30,2%. Esses números demonstram uma perspectiva mais positiva, considerando que nas semanas de moda da primavera 2016 a participação de modelos de outras etnias estava reduzido a apenas 22,4%.

E já não era sem tempo! Depois de termos grandes nomes como Naomi Campbell marcando uma era na década de 1997, foi a vez da modelo sudanesa Anok Yai abrir o desfile da Prada – a primeira negra desde Naomi, em 1997. Também a Comme des Garçons trouxe modelos negros para seus desfiles depois de uma lacuna de vinte anos, e a Balenciaga trazendo oito nomes proeminentes da moda jamaicana. Mas será que, ainda assim, essas mudanças estão conservadoras? De acordo com o time anônimo que cuida do perfil no Instagram @moremodelsofcolor, ainda há muito trabalho a ser feito.

Para eles, o termo diversidade hoje é muito mais amplo do que já foi outrora. “Nós temos diversidade dentro da diversidade que é visível na indústria. O que significa ser ‘diverso’ mudou tanto nos últimos anos – se tornou um movimento que continua se tornando mais e mais inclusivo para as pessoas. Cada coleção há uma inclusão inédita de um novo discurso ou fator. Há modelos plus size trabalhando com grandes grifes, um crescimento de modelos trans trabalhando e mais variedade étnica entre as modelos trabalhando em desfiles e campanhas”, relatam. Para eles, um dos exemplos mais surpreendentes dessa onda de inclusão foi o surgimento de modelos muçulmanas usando hijabs, movimento liderado por Halima Aden quando estreou na NYFW em 2017. “Mesmo cinco anos atrás, a perspectiva de uma modelo usando hijab em grandes semanas de moda era totalmente inconcebível. É um indicador de mudança.”

Apesar disso, o time por trás do @moremodelsofcolors diz que, junto à cobrança e ao ativismo exercido por eles, também há o lado triste em receber relatos de modelos que tiveram experiências de racismo e ignorância dentro da indústria da moda. “É sempre desmoralizante ouvir que uma modelo teve que ouvir, cara a cara, uma empresa que ‘não precisa de outra garota negra’ ou que ‘garotas asiáticas não são ideais’ para o que estão procurando para esta temporada.”

Para mudar esse cenário, o time acredita que a educação é o mais importante, uma vez que o termo diversidade pode ser ambíguo. “Ter um grande número de modelos negras, por exemplo, não é nenhuma marca de diversidade. Contudo, isso apresenta um diferente tipo de beleza que o eurocêntrico, que é tão frequentemente usado como base para o padrão da indústria, assim negligenciando a maioria das outras etnias. De forma semelhante, não é suficiente usar apenas modelos de outras etnias que têm pele clara ou não têm traços étnicos fortes. Há muitos níveis de diversidade, tantas que a maioria das pessoas nem pensam a respeito.”

É por conta desses e outros fatores que o @moremodelsofcolor continua com uma trajetória que sabem que será a longo prazo, mas que o desejo é de trabalhar justamente com essas marcas, revistas e profissionais criativos, como consultores de diversidade para que a indústria seja mais holisticamente contemplada com essa visão. “É sobre normalizar a diversidade, em vez de fazê-la um momento de inovação. Modelos são a face da diversidade na indústria, mas todos os outros profissionais que estão compondo os bastidores também precisam dessa diversidade.”

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