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A moda gabber de Gosha Rubchinskiy

Um dos destaques do streetwear e da moda masculina contemporânea, Gosha Rubchinskiy é um designer russo que tem trazido de volta um novo olhar sobre as subculturas musicais dos anos 90, período em que não só o grunge prosperou, mas também foi efervescente para diferentes subgêneros da música eletrônica, como é o caso do gabber.

Tanto na Rússia quanto no Leste Europeu (ou antiga União Europeia), foi a música eletrônica de ritmo acelerado e tons estridentes que embalavam as agitadas noites dos jovens que se identificavam com uma forma de se vestir a partir de roupas esportivas e com destaque para grifes como Adidas, Puma e Nike.

Hoje, com 33 anos de idade, Gosha atua tanto como designer de moda quanto cineasta e fotógrafo com pelo menos uma década de experiência em sua bagagem criativa. Mas foi só em 2008 que o russo decidiu lançar sua própria grife que carrega seu nome.

Sua assinatura traz a nostalgia de sua infância, no início dos anos 90, quando houve a queda da Cortina de Ferro depois de quase 50 anos de domínio político da União Soviética sobre alguns dos países da Europa Oriental. Ao fazer uma releitura das ruas moscovitas dos anos 90, é na intersecção entre o estilo dos rappers, skaters e dos fãs de música eletrônica que o designer hoje cria para suas novas coleções.

E essa conexão forte entre moda, música e subcultura não pára apenas ao nível da inspiração. Gosha também realizou uma parceria com o DJ Zhit Vredno, que tinha 19 anos quando o designer o conheceu, no verão de 2013. O estilista, então, trouxe para suas roupas o estado atual do underground da música techno russa, o que fez com que sua coleção de primavera 2014 revivesse o espírito hedonista da cena raver dos anos 90.

Ainda que Vredno sequer tivesse nascido naquela época, Gosha encontrou no jovem DJ o mesmo feeling de uma época que o designer considera enlouquecedora, porém não menos fértil. “As pessoas alugavam grandes espaços em antigos prédios soviéticos, havia DJs internacionais, pessoas usando MDMA como um novo tipo de liberdade para aquela geração”, ele contou em uma entrevista para o i-D.

Sua moda, portanto, segue não só a tendência nostálgica de retorno para as décadas de 80 e 90 que transparecem tanto nas produções audiovisuais quanto na moda, mas também acompanha o retorno das raves ilegais em Londres, algo tão típico dos anos 90, que foi quando um ato foi lançado pela Justiça Criminal do Reino Unido para banir a reprodução de batidas repetitivas em espaços abertos. Atualmente, no entanto, a resistência dessas subculturas traz um retorno das raves ilegais que podem acontecer em qualquer lugar, como em um prédio abandonado ou ainda em construção.

Assim, Gosha mantém viva em suas roupas não só uma referência subcultural à moda gabber e raver, mas também de um passado histórico permeado pelo significado representado pela União Soviético a nível global, e como esse seu trabalho criativo vem como uma forma de desafiar o status quo do mercado fashion, assim como no papel que as subculturas sempre exerceram ao longo de sua história.

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