Publicado em Deixe um comentário

À moda, o caos: Uma conversa entre a Woman’s History Museum e Gogo Graham

Foi em 2014 que a grife novaiorquina Women’s History Museum entrou para a história da moda com o desfile da primeira coleção criada por Amanda McGowan e Mattie Rivkah Barringer – à época, com apenas 20 anos de idade. Desde então, sua assinatura criativa de referência histórica à luta feminina a partir das roupas se tornou uma manifestação de como criar moda a partir do caos, bem como isso acaba sendo algo tão próximo e visceral às designers.

Sempre preferindo performances em vez da experiência tradicional dos desfiles, a dupla teve suas primeiras quatro coleções expostas no Gavin Brown’s Enterprise, em janeiro deste ano. Lá, não apenas as roupas de McGowan e Barringer foram apresentadas, mas também foram utilizadas como uma plataforma de criação de empatia diante da mensagem central da Women’s History Museum. A isso se incluíram oficinas como a da designer Gogo Graham, que ensinou aos participantes tutoriais de maquiagem de autoajuda. Graham também é conhecida por seu trabalho na moda ao criar coleções que celebram a comunidade trans e sem conformidade de gênero, além de ser uma ativista dessa causa.

Em uma conversa travada entre as designers do Women’s History Museum e Gogo Graham, as criativas discutem quais foram as inspirações e impulsos que fizeram a última coleção de Graham vir a tona. Segundo a designer, desde seu último desfile, no outono de 2016, ela estava em dúvida se realmente iria seguir apresentando suas criações, já que não havia até ali um sólido planejamento financeiro. Isso significa que, das últimas vezes, Graham não conseguia sempre pagar as modelos, enquanto que para sua nova coleção, intitulada Vicky’s Secret, ela queria fazer diferente.

“Estou num ponto da minha vida em que compartilhar meu trabalho criativo não é razão o suficiente para me pôr em um desfile. Tem que beneficiar essas pessoas cujos corpos estão à mostra”, ela comenta. “A inspiração para essa coleção veio de uma piada besta e transfóbica que eu lembro do colegial, no que diz respeito ao segredo que a Victoria da Victoria’s Secret estaria guardando (surpresa: que ela é trans). As cores brilhantes e as formas esquisitas que aquelas mulheres extremamente sorridentes, convencionalmente bonitas, esculturais e bronzeadas fazem parte da minha mente de uma forma bem positiva. Eu peguei tudo aquilo e trabalhei em cima de uma outra paixão da infância: jogos de RPG para PlayStation.”

Nesse sentido, o interesse de Graham por máscaras aparece em seu trabalho tanto de maneira metafórica como objetos físicos que são incorporados em seu trabalho criativo – e esse é um tema que constantemente aparece em seus pensamentos. “Nós usamos máscaras para diferentes ocasiões – algumas fazem as pessoas se sentirem bem e seguras, como uma maquiagem de rosto inteiro, óculos de proteção, respiradores, um artefato de nossos ancestrais, algo que obscurece a forma do rosto para os observadores, um sorriso para alguém que precisa dele. Outras existem para machucar ou enganar. Todas elas me interessam. Eu nunca escolheria viver em um mundo sem máscaras.”

É assim que seu interesse por maquiagem também se conecta, já que essas máscaras também têm a ver com a estética criada pelos cosméticos. Para a Women’s History Museum, Graham deveria compartilhar mais desse seu olhar em algum tipo de publicação que instrua as pessoas a construírem esse tipo de imagem própria para a conquista de uma melhor autoestima. “Se eu pudesse começar tudo de novo, eu estudaria cosmetologia ou medicina, então estudaria cirurgia plástica. Não há nada mais fascinante para mim do que utilizar ferramentas especificamente criadas para melhorar a aparência física de uma pessoa, para melhorar sua imagem própria, e não há nada que eu ame mais do que ajudar mulheres a se sentirem bonitas. A ideia de criar uma instituição ou uma publicação especificamente voltada para o propósito de tratar de beleza realmente me inspira. Talvez um dia.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove − 10 =