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A moda tecnológica de Iris Van Herpen

Hoje conhecida como um dos principais nomes da alta costura, bem como uma das grifes preferidas da cantora Björk, a designer holandesa Iris Van Herpen conquistou seu espaço no mercado fashion não apenas pela beleza de suas criações, mas também pela forma como a estilista combina tecnologia e arte às suas roupas e desfiles.

A impressão 3D é um exemplo de tecnologia que vem chamando a atenção nos últimos anos, apesar de não ser uma técnica nova. Isso vale também para Van Herpen, que desde 2009 vem aplicando a impressão em 3D na criação de suas roupas monumentais.

Em entrevista para a Vogue, a designer revelou que, naquele momento, ainda não era possível de se imprimir um vestido flexível, então as impressões eram adaptadas para que pudessem fazer parte de suas coleções. Hoje em dia, porém, novos modelos de impressora 3D já são capazes de imprimir peças flexíveis e também mais duráveis.

Ao olhar para trás, quando imprimir seu primeiro vestido levou sete dias inteiros para ser concluído, Van Herpen revela que esse tempo hoje já diminuiu bastante. Uma curiosidade em seu processo criativo é que a designer não faz esboços antes de imprimir as peças, mas segue a ordem inversa, justamente para poder respeitar o material e achar a maneira certa de interagir com a roupa.

Nesse sentido, o ateliê de Van Herpen tem tanto seu lado de ateliê de costura quanto um espaço maker, no qual máquinas de costura, manequins e pessoas trabalhando com estampas e tecidos convivem com equipamentos para corte e modelagem a laser, por exemplo.

“Fazemos alguns vestidos a partir de uma completa moldagem em argila primeiro, então é um processo diferente. Também há bastante trabalho no computador envolvido, então há a parte do escritório. Apesar de se parecer muito com um, a coisa mais interessante ali é que eu não reservo meu espaço de trabalho apenas a Amsterdã: há muitas pessoas com quem trabalho e que estão fora do meu ateliê, como o arquiteto Philip Beesley que fica em Toronto”, conta a designer.

Um de seus mais recentes e icônicos trabalhos foi o desfile que apresentou sua coleção de Outono 2015, quando a designer criou instalações junto ao artista Lawrence Malstaf para que as modelos ficassem suspensas em compartimentos plásticos selados a vácuo.

Com a ascensão de Soo Joo Park como um nome de beleza alternativa nas passarelas internacionais, a modelo coreana foi uma das escolhidas para participar da performance que remetia à imagem de um útero sintético ou então, fazendo uma comparação mais recente, com a maneira como o seriado Altered Carbon trouxe a incubação das “capas”, corpos sintéticos criados em laboratório.

A obra ficou exposta durante a última edição da FILE, festival de arte interativa e tecnológica que ocupou vários espaços de São Paulo, incluindo o Centro Cultural Banco do Brasil, onde a instalação estava disponível para o público experimentar a sensação de ser “embalado a vácuo” e respirar por um tubo.

Para esse ano, Van Herpen trouxe para suas roupas monumentais uma inspiração clássica, da madeira esculpida, dos cristais pré-históricos que crescem como fractais. Com o título de “Ludi Nature”, a coleção traz o termo latino “ludi”, de brincadeira ou jogo, para trabalhar a capacidade replicadora e reprodutiva da natureza.

A designer, então, buscou traduzir esses processos naturais em suas roupas que incluem diferentes camadas e padrões trabalhados em couro na cor nude e também com o uso de tecido líquido combinado a Mylar, uma espécie de resina de poliéster bastante usada como fibra para roupas.

Nas palavras de Van Herpen, a coleção trabalha o conflito entre o natural e o artificial, no sentido daquilo que é planejado pelo humano e aquilo que é um processo orientado pela natureza. “Não se esqueça quão engenhosa a natureza é, por ela mesma. Acho que nós, humanos, não chegamos nem perto da inteligência que há na natureza. É engraçado como as pessoas pensam que a natureza é simples e a tecnologia é complexa – é o oposto, a tecnologia é simples e a natureza é complexa.”

Em crítica publicada na Vogue, a mais recente coleção de Iris Van Herpen teve sua estética comparada à de Alexander McQueen, mas enquanto esta procura traduzir a força do feminino, ela não faz de uma maneira idealizada, mas sim transforma a mulher em uma personificação do que seria uma força da natureza.

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