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BabyFist: a marca árabe de jeans que luta contra o assédio

Criada aos 21 anos pela ativista dos direitos das mulheres e empreendedora social Yasmeen Mjalli, a BabyFist começou como uma pequena marca de jaquetas jeans e camisetas feitas à mão como uma forma de materializar o movimento social #NotYourHabibti. A jovem palestina-americana teve esse insight após se mudar da Carolina do Norte para a cidade natal de sua família em Ramallah, onde Yasmeen sofreu uma terrível experiência de assédio na rua. Foi esse ocorrido que fez com que ela, então, criasse uma comunidade na qual mulheres palestinas e árabes ao redor do mundo pudessem conversar sobre tópicos que são tabu e que fazem parte do seu dia a dia.

Em reportagem da I-D, Yasmeen conta que seu jeito sulista era mal visto na Palestina, assim como se sua simpatia fosse tomada como uma postura sexualizada. “Eu odiava quem eu estava me tornando”, ela conta. Para se livrar dessa situação, Yasmeen resolveu refletir mais sobre sua própria experiência ao convidar outras mulheres a compartilharem suas histórias de assédio sofrido nas ruas e demais ocorridos de abuso sexual. Através do Typewriter Project, a jovem coleta essas histórias pela internet para depois transformá-las em uma instalação artística a ser exposta em diferentes cidades, ainda neste ano.

E tudo isso começou com uma jaqueta, ela conta. Mas, na época em que ela escreveu “Not Your Habibti” (algo como “não sou sua queridinha”) em uma jaqueta jeans, Yasmeen nem tinha consciência sobre algo como ativismo global. Na verdade, ela havia adaptado a frase “Not Your Babe”, vista circulando nas redes sociais, para o seu contexto e identidade de mulher árabe em constante luta para reconciliar seu posicionamento feminista com os estereótipos de gênero permeados nessa sociedade. Assim, a BabyFist Denim nasceu como um importante convite a uma discussão filosófica sobre o que significa ser uma mulher por si própria no mundo de hoje.

Para a ativista, a moda é muito importante por conta da maneira como o mundo das redes sociais é estruturado hoje. “Uma das maneiras mais fáceis de uma tendência se espalhar é através da moda. Quando criei a BabyFist, o problema que realmente catalizou o movimento todo era o assédio nas ruas. E o assédio nas ruas tem muito a ver com a maneira como você se veste – ou você pensa que é o que você veste. Você pensa que, talvez, se você se cobrir ou se vestir uma certa cor ou um certo corte de jeans – seja qual for -, então poderá torná-lo uma ferramenta de prevenção do assédio sexual, de alguma forma”, comenta Yasmeen.

“Para muitas mulheres, quando você vai para as ruas agora, você não está vestindo roupas que expressam o que você é. Você está se vestido de certa forma para prevenir ou minimizar o assédio sexual. Acho que essa é um dos maiores motivos pelos quais eu quis começar a fazer o que faço. Queria fazer uma peça que transmitisse, ao mesmo tempo, uma mensagem que fala sobre um movimento muito maior e que todos podem se envolver, mas que também era expressivo. Você não veste as peças porque quer se cobrir ou porque está com medo. Você quer vesti-las porque realmente se identifica com o que elas defendem.”

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