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Como ser mais ético ao produzir moda de acordo com quatro grifes inglesas

Em um recente post na Dazed Digital, as grifes Fortie Label, Birdsong, Hanger e Such a Fan deram algumas dicas de como tornar o consumo de moda mais consciente e sustentável, a começar pela a ideia de que a sustentabilidade é um estilo de vida e não um objetivo final.

“Leva tempo e um pouco de pesquisa para ir um pouco além do que é oferecido. Como posso fazer certo aspecto de meu negócio um pouco mais ético, um pouco mais sustentável, um pouco mais amigável para a natureza e para os seres humanos? Não tem que ser um passo gigante”, diz Essie Buckman da Fortie Label. “Tem que ser uma prática, algo que flui na forma como você trabalha e na forma como você implementa seu negócio. Tem que ser algo que é parte de você, parte do seu negócio e parte do ethos de sua marca, sua identidade.”

Outra dica importante é a reutilização de materiais em vez de comprar novos. “Eu sempre usei qualquer coisa que fosse mais barata, e se você quer criar, sempre tem que pensar quanto você está gastando e se vale mesmo a pena ir à melhor loja de arte na zona leste de Londres para adquirir a melhor tela. Às vezes o que está na frente da porta da sua casa é mais útil e as texturas são mais interessantes, então tenho mais curiosidade sobre esse tipo de trabalho”, relata Ibiye Camp, da Such A Fan.

Por outro lado, Claire Davis, da Hanger Ing, diz que, quando se está começando uma grife, é muito fácil de ser sustentável porque boa parte do tempo que você gasta estará relacionado à reutilização, encontrar coisas que existem e que você não precisa comprar porque não tem dinheiro. “Tudo é sobre reutilizar as coisas naturalmente.”

Ainda, é também importante olhar para sua cadeia de fornecedores para entender de onde vêm aqueles materiais e como eles são produzidos e levados até você. “Oferecer trabalho flexível e amigável quando não se trabalha em uma fábrica, onde se têm prazos, é o ponto central da Birdsong. Não é uma fábrica, é um ciclo social, e eles podem conversar e interagir. Sabemos o nome de cada pessoa e eles vêm até nossa casa para tomar chá”, revela Sophie Slater, da Birdsong.

Como uma jovem estilista, Claire Davis da Hanger Inc diz que existe essa oportunidade de realmente ver quem está produzindo suas coisas. “Você sabe onde estão adquirindo os tecidos, sabe de todas essas pequenas nuances dentro da cadeia muito bem.”

E isso significa também um retorno à produção local. Claire diz que, às vezes, tem algumas coisas que são mais difíceis de adquirir e, quando você precisa de muito tecido, é bem difícil de trabalhar de forma mais sustentável. “Esses tipos de obstáculo ainda existem e é por isso que eu, pessoalmente, uso tudo que é feito em Londres. Minha fábrica de tecelagem fica em Forest Gate, minhas camisetas são estampadas em Leicester, e todo o latex eu tenho feito em um estúdio em Hackney Downs. Então, pelo menos, eu sei que tudo é faturado pelas pessoas que eu conheço.”

Já Sophie Slater da Birdsong diz que tem todas suas roupas manufaturadas por um grupo de mulheres e entidades caridosas principalmente localizadas na zona leste de Londres. “Temos dois grupos de pessoas que bordam à mão, um baseado em Enfield e outro em Kingston. Por ser uma moda ética, focamos muito no produto, ele tem que ser incrível. Você não irá sacrificar seu estilo por isso.”

Por último, as quatro designers ainda reforçam o uso daquilo que se tem. Isto é, nas palavras de Claire, “há sempre aquela prática de se usar o que se tem, assim como retornar para a manufatura. Corte o tecido se você não consegue costurar de volta e chame sua amiga, alguém como eu, que irá pegar o tecido e desconstruí-lo. Sempre tem uma solução.”

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