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Fotografando a Alma com Camila Fraga

Nascida na Bahia e hoje moradora de São Paulo, Camila Fraga se formou em moda, mas suas inclinações sempre estiveram mais voltadas para o desenho de uma sociedade mais consciente do que nos croquis.

E foi com menos de um ano na capital paulistana que Camila se descobriu fotógrafa ao fundar junto de Maria a Caetana Filmes, uma produtora audiovisual com foco em um olhar mais sensível para a moda, fotografia e vídeo. “Sempre gostei de contar histórias e a fotografia foi uma forma que encontrei de contar minha história como mulher através de outras mulheres”, ela comenta.

Foi a partir desse olhar feminino (e feminista) que Camila, hoje com 25 anos, conseguiu encontrar uma forma de expressar sua identidade: “Sou uma mulher sensível (até demais) e acho que isso acabou aparecendo nas fotos e vídeos que eu faço.” Foi a partir da Caetana, então, que Camila começou a ter uma outra percepção sobre as mulheres e sobre todas as coisas. “Aprendi a me relacionar melhor com as pessoas e, o principal, que com amor a gente consegue manter as coisas funcionando.”

Com isso, o passo seguinte se deu de forma natural. Ainda no começo deste mês, Camila se lançou em uma nova empreitada, o Estúdio Maeve, uma casinha na Vila Madalena onde a fotógrafa recebe pessoas para facilitar processos de meditação e de autoconhecimento que também perpassam pela fotografia. “Após uma conversa, juntos percebemos o que precisa ser focado no momento, por exemplo a autoestima. A meditação, portanto, é uma forma de visualizar o que falta para aquela pessoa se fortalecer. Então, criamos um espaço acolhedor para que a pessoa possa se abrir e entender o que está faltando para ela ser a pessoa que é”, ela comenta.

A fotografia, portanto, vem como um registro de acompanhamento desse processo facilitado por Camila e ainda inclui um texto com indicações de novos caminhos para se dar seguimento, por exemplo a partir de terapias alternativas com profissionais confiáveis.

Esse insight surgiu especialmente a partir da própria trajetória de Camila. Ao chegar em São Paulo, a fotógrafa tinha a intenção de se dedicar a um viés mais sustentável de fazer moda, seja diminuindo o ciclo de lavagens ou então desperdiçando menos tecidos. “Dentro de mim, a vontade sempre foi fazer algo mais coletivo e que impactasse as pessoas positivamente. Quando comecei a fotografar, fui me conhecendo melhor. Comecei a desenvolver minha espiritualidade e a me autoconhecer. Esses foram processos (árduos) que mudaram todo o rumo das coisas que eu vinha fazendo até então”, ela revela.

Foi na própria insatisfação e desconforto cotidiano que Camila resolveu, então, começar a meditar e a participar de retiros, nos quais também atuava como fotógrafa. “Quando comecei a me sentir melhor comigo mesma, entendi que queria que as pessoas tivessem a mesma experiência que eu estava tendo. Querendo ou não, o autoconhecimento é uma forma de mexer com o todo, crescer amor em cada um, para só então distribuir esse amor ao próximo.”

A trajetória de Camila, portanto, seguiu a mesma lógica como conta a história da mãe que levou o filho a Mahatma Gandhi para que este o aconselhasse a deixar de comer açúcar: foi só depois de o próprio Gandhi deixar de ele próprio consumir doces que ele então se sentiu na posição de aconselhar o garoto.

“Uma mudança enorme começou em mim depois de fotografar esses retiros. Uma mudança energética mesmo, sabe? Como se minha ansiedade tivesse ido embora e eu tivesse finalmente encontrado o meu centro e os meus guias. Eu fiquei muito tempo pensando em que passo eu deveria dar depois que saí da Caetana. Até que, há um mês, durante um desses retiros só de mulheres para o qual fui chamada para fotografar, a ideia do Estúdio Maeve me veio com bastante força. Entendi então que esse era o início do meu propósito nessa encarnação”, comenta Camila.

Nesse sentido, migrando da moda para a fotografia e para a meditação em busca do autoconhecimento, Camila encontrou uma nova forma de entender moda como a maneira que nos expressamos a partir de acessórios, maquiagens e roupas, de modo que isso também faz parte da construção de nossa identidade, de nossa imagem própria e é também a partir dessa nossa “casca” que nos empoderamos. Apesar de ter se formado para desenhar o que mostramos externamente, hoje Camila se dedica a ajudar os outros, através da fotografia, a como vestir o nosso eu interior. “Um dos pontos mais importantes do Estúdio Maeve é justamente o olhar. A pessoa vai se visualizar de um jeito mais positivo durante a meditação e logo de imediato faremos as fotos. Aquele é um registro da construção dessa identidade mais positiva que ela viu pra si. Uma forma muito precisa de se empoderar e de se aceitar”, ela conta.

Em um momento no qual as marcas e a própria cultura migra para um posicionamento de maior aceitação e de amor próprio, é nossa imagem compartilhada e transmutada em mídia nas redes sociais que acabam tanto por nos ajudar a repensar nossas identidades como podem servir de armadilhas quando nos sentimos fragilizados. “Eu tenho achado muito incrível o processo das pessoas fotografadas por mim”, diz Camila. “Eu sou só uma ponte, não sou eu que faço o trabalho. São elas. Eu só estou ali meio que para segurar suas mãos e dizer ‘vai em frente’, sabe? Me deixa muito orgulhosa ver essas pessoas maravilhosas, finalmente se enxergando maravilhosas!”. A fotografia, portanto, é só a materialização da beleza que se constrói por dentro e transparece por fora.

    

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