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Iza Dezon Abre o Jogo sobre a Questão Moda x Sustentabilidade

Em seu trabalho, Iza Dezon vive cerca de 7 anos há nossa frente. Isso é uma consequência da sua profissão: Especialista de tendência. Essa posição exige que Iza se dedique a pesquisar macrotendências socioculturais. Dessa forma, ela é capaz de prever qual será o comportamento humano daqui a 7 anos. 

Essas informações interessam principalmente aqueles que estão no mundo dos negócios, pois empresas conseguem rever posicionamento de marca e traçar estratégias que dialoguem com o público alvo. 

A indústria de beleza e moda são muito adeptas a pesquisa de tendências.

A paulistana Iza Dazon estudou Fashion Styling em Londres e Milão. Foi visual merchandising da Prada e Moncler. Fez mestrado em Paris onde se especializou em beleza, moda e luxo. Há 9 anos, faz parte do time da PeclersParis, e fundou, em 2018, a Dezon Consultoria Estratégica, empresa brasileira com representação exclusiva da agência francesa na América Latina.

O seu trabalho na agência tem como objetivo adaptar o rico material de tendências globais (produzido pelas unidades da agência ao redor do mundo) para a cultura brasileira. Além de exportar o que tem de mais interessante por aqui. 

Uma das questões por ela apontada é a urgência da crise climática. Ela nomeia essa geração como “Nativos ecológicos” e aponta a jovem sueca Greta Thunberg como uma de suas líderes. Esses jovens já estão deixando de consumir produtos que não são sustentáveis. Não estão abertos a diálogos ou dispostos a caírem em conversas superficiais. Se a indústria não se portar de forma coerente eles simplesmente não vão comprar.

Em entrevista para Bem Phyna, Iza contou as suas impressões/experiências a respeito da sustentabilidade no mercado da moda: 

 1) Enquanto você morava na Europa, como era o comportamento de consumo second hand na moda?

O consumo de peças de segunda mão na Europa vai muito além de uma tendência – faz parte da cultura e está enraizado no comportamento das pessoas. Dos vintages de luxo, com peças lindas e bem cuidadas, às lojas mais populares de peças vendidas à kilo, todos consomem e também vendem tudo aquilo que não estão usando. Para além de viverem em uma cultura pós-guerra, que evita o desperdício a todo custo, os Europeus não tem espaço (e muitos nem querem ter) para armários imensos recheados de peças obsoletas – tudo circula!  

2) Como você percebe o papel de iniciativas como a da Bem Phyna no mercado brasileiro, em que buscam fomentar formas de consumo mais sustentáveis?

Estamos evoluindo! Finalmente é possível notar uma mudança de comportamento e ruptura com o estigma que pairava sobre o consumo de ‘peças usadas’. Se por um lado alguns estão começando a perceber a importância de evitar o acúmulo e o apego, outros, alavancados pela crise financeira, estão compreendendo que o consumismo americanizado, desenfreado e obcecado com ‘o novo’ é insustentável – no seu sentido mais abrangente. Empresas como a Bem Phyna ajudam a fomentar essa cultura, ‘destabulizar ‘ o consumo de segunda mão e principalmente oferecer uma visão desejável do brechó indo muito além do guarda-roupa da vovó com cheiro de naftalina! 

3) Quais são as suas dicas de comportamento para os consumidores aderirem no dia a dia e que refletem uma transformação no mercado da moda? 

Estamos atravessando crises centrais (financeira, climática e de confiança) que estão nos encorajando, para não dizer forçando, a mudar de comportamento de forma cada vez mais radical. Não será mais possível continuar produzindo o novo e comprando sem se perguntar onde, como e por quem as minhas roupas são feitas? Tornou-se essencial entender o verdadeiro custo (material, ambiental e humano) por trás de tudo aquilo que adquirimos. Não existe fora, precisamos nos responsabilizar pelo lixo e todos os resíduos que produzimos. E, acima de tudo, é fundamental entender que o consumismo é uma manifestação de baixa autoestima. E este é o ponto central que precisamos trabalhar em casa, no trabalho, nas empresas e nas nossas escolhas cotidianas.

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