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LARINU retorna com clipe onírico e retrô em São Paulo

Lembra daquele nosso post sobre a Carranca Records? Pois é! Lá falamos sobre essa cantora e compositora paulista incrível, que é a LARINU. Recentemente, ela divulgou suas novas canções em um lyric video gravado pelos bairros da Liberdade e República, em São Paulo. Conversamos com ela para saber mais sobre essa nova fase em que a cantora expressa sua influência no pop, na cultura oriental e no R&B.

Como uma fã de longa data da cultura pop, foi natural que a música de LARINU começassem a tomar uma cara mais próxima da música pop também. “Tenho escutado Lana Del Rey, por exemplo, e talvez tenha absorvido um pouco do que ela me transmite. Já o estilo orientalista tem a ver com o tipo de música que eu tenho ouvido”, ela conta. É a partir das cantoras japonesas dos anos 80 que a artista tem explorado a estética do estilo City Pop – um gênero cosmopolita da música pop japonesa que ficou conhecido naquela década. “Esses elementos aparecem melhor no visual do lyric video, principalmente nas cores, as legendas e o ambiente.”

Ao combinar suas referências da cultura negra com a cultura oriental, LARINU diz que busca sair do eixo europeu e branco, ao mesmo tempo em que também é uma apreciadora do teatro japonês. Isso nos faz lembrar do incrível projeto de um artista de Camarões que criou kimonos japoneses com estampas africanas na coleção Wafrica, por exemplo.

Outra referência que aparece de maneira sutil nessa nova estética de LARINU é a subcultura vaporwave. Originalmente nascida na internet, ela se divide entre gênero musical e estética que trazem de volta o estilo videotape dos anos 90 misturado a elementos da Grécia Antiga, animais e objetos kitsch daquela década. A cantora revela adorar vaporwave e quem produziu o clipe junto a ela, Nnicole Bourbaki e raecae, também estão nessa. Apesar disso, LARINU não diria que seu clipe é totalmente vaporwave. “Essa fase é uma transição que pretendo fazer para compor materiais bem diferentes a partir de agora. O EP homônimo de 2017 já tinha uma atmosfera mais introspectiva e os singles vieram como um anúncio desse desabrochamento. São músicas que falam de amor”, revela.

Responsável pela concepção dos clipes, LARINU conta que gravou as cenas em uma noite bem fria em São Paulo. “Escolhi junto com meu companheiro quais locações ficariam próximas daquilo que havia pensado. A narrativa da cidade me inspira muito e, assim, as músicas ganham uma outra dimensão para mim, porque fazem parte daquele ‘pedaço da noite'”, ela conta. Os looks que a cantora veste ao longo do clipe foram pensados em conjunto com o companheiro, mas a ideia era ser mesmo simples, apesar de conter toques de sensualidade. “É um visual casual, como se eu estivesse de camisola em casa e resolvesse sair, botando uma jaqueta jeans e um par de botas bonitas”, ela brinca.

Consequentemente, essa inspiração combinada à sonoridade da música fez com que o clipe Sábado/Duas ganhasse uma atmosfera de sonho, algo que LARINU buscou contrastar com o cenário cru da cidade. “Às vezes, acho que muita coisa acontece ao meu redor e vivo alguns momentos de ‘escape’ da realidade – justamente para poder escrever sobre ela. Acho que tem a ver com a experiência amorosa também. Não dá para descolar totalmente da realidade, mas quando falamos de amor, de algum jeito, falamos de um lugar um pouco além do chão”, ela explica.

O resultado, portanto, é um clipe que dá esse toque flâneur à cidade de São Paulo, embebida pelos tons do City Pop japonês adaptado à realidade brasileira e filtrado pela lente artística de LARINU. Assista ao vídeo:

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