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O Futuro repetindo o Passado: Outono 2018

Cabeças decepadas, roupas prateadas e muito papel alumínio: depois de a Gucci fazer um retorno ao tempo a partir da junção entre história da arte e moda, foi a vez de a grife comandada por Alessandro Michele olhar para o futuro em sua nova coleção intitulada Cyborg.

Ao mesmo tempo, durante a London Fashion Week, a MM6 Maison Margiela desfilou looks prateados em um pub totalmente recoberto em papel alumínio, isto é, fazendo alusão ao ateliê Factory de Andy Warhol, também recoberto do mesmo material.

Tanto em Milão quanto em Londres, a conexão do olhar para o futuro é certa: ele pode vir tanto na nostalgia do futuro imaginado nos anos 50 e 60, com seus seriados como Barbarella e Star Trek, ou ainda podem ganhar um tom mais punk e típico dos anos 80 que, por outro lado, também retorna nas produções audiovisuais contemporâneas, como no caso de Black MirrorAltered Carbon.

Com a passarela transformada em uma sala cirúrgica, a coleção de outono 2018 da Gucci não trouxe em suas roupas uma inspiração futurista, mas foi o conceito por trás dos objetos carregados pelos modelos que ressaltaram a obsessão de Michele por história e arte. Isto é, ao mesmo tempo que o designer traz inspiração do passado, este se repete como em um círculo vicioso do eterno retorno.

De acordo com a própria grife, a referência do dragão carregado na passarela vem da “Lenda do bebê dragão em um pote”, que trata da história de um autor que fingiu ter encontrado um pequeno dragão em sua garagem em Oxfordshire, na Inglaterra.

Já as cabeças decepadas são provavelmente uma referência a São Denis, um santo frequentemente representado na arte cristã segurando sua própria cabeça depois de ser decapitado como um mártir. Por outro lado, a tradição ainda conta que a cabeça decepada também aponta para o lugar no qual o santo teria sido enterrado.

As cabeças de Michele foram desenvolvidas por uma fábrica baseada em Roma, a Makinarium, que é bastante conhecida por desenvolver efeitos especiais para grandes nomes do cinema como Ridley Scott e Danny Boyle.

Depois de escanear os modelos e trabalhar durante os últimos meses na impressão 3D de suas réplicas, a Gucci trouxe para seu desfile da coleção de outono 2018 o conceito de uma sala de operações que compara o trabalho do designer ao de um cirurgião, conforme esse corta, separa e depois reconstrói materiais e tecidos para criar uma nova personalidade com as qual ele se identifica.

No caso da MM6, o styling dos looks prateados acompanhou o pub encapado de papel alumínio em um clima retrofuturista que incluiu pinturas feitas de spray, disco balls e lantejoulas metalizadas que deram o toque antitético de uma estética futurista imaginada há quase 50 anos antes, porém em pleno século 21.

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