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Plus size, plus amor, plus liberdade!

Em um artigo escrito por Marie Southard Ospina para o site da revista Dazed and Confused, a escritora narra sua jornada por uma maior aceitação (e amor) pelo próprio corpo a partir do uso de moda plus size.

A autora comenta, por exemplo, quando em 2013, ela usou um vestido roxo acetinado para curtir a noite de Manhattan. Apesar de não achar que o look estava “sexy” em si e que talvez a roupa nem estivesse caindo assim tão bem, ela nunca havia se sentido tão atraente quanto naquela noite. Depois de horas dançando, Marie sentia como se seu corpo ganhasse ainda mais vida na pista e ela estava confortável consigo mesma. Tanto que, ao sair do clube com seu companheiro, não pensou duas vezes antes de se entregar, sem ressalvas e sem vergonha ao se despir diante dele. “Nós simplesmente fizemos. Lembro disso porque, naquela época, aquele tipo de intimidade não era normal para mim”, ela comenta.

Isso porque, ao longo de sua adolescência e seus primeiros 20 e tantos anos, Marie ainda tinha muito receio sobre sexo. “Às vezes só o pensamento (e a mínima possibilidade de que isso poderia acontecer) era suficiente para me preencher de ansiedade. Eu passava boa parte do meu tempo ativamente evitando meu corpo, então permitir que qualquer outra pessoa pudesse acessá-lo costumava ser algo tenso, se não totalmente impossível.”

Como uma mulher gorda, Marie se sentiu por muito tempo não atraente ou sequer merecedora de qualquer coisa: “Eu também fui condicionada a pensar que os estilos disponíveis para mim naquela época (vestidos desengonçados, túnicas e jeans com corte horrível) eram as únicas coisas que eu merecia.”

Marie se sentia horrível naquelas roupas, mas as vestia de qualquer maneira – afinal, também não havia tantas opções atraentes para as mulheres acima do peso. Ela odiava aquele tipo de look e a maneira como isso influenciava sua aparência e sua percepção de si mesma. “Odiava tudo sobre aquilo que parecia reiterar o que eu já sabia (ou pelo menos achava que sabia): Eu não era sexy. Eu não era chic. Eu não era legal, ou atraente, ou sequer interessante, e se eu realmente quisesse tirar minhas roupas, a lingerie plus size daquela época só iria reforçar esse conceito. Calças leggins, calcinhas de vó e sutiãs bege como aqueles que minha avó usava eram supremas, enquanto que renda românticas e sedas eram vistas por mim como algo atraente, mas somente possível para mulheres magras.”

Foi lá por 2012 que Marie, no entanto, percebeu que o mercado plus size estava sofrendo uma revolução: pessoas acima do peso estavam se dedicando totalmente à criação de sites e redes sociais para se expressar. “Eles estavam pressionando as marcas a arriscar e dar às pessoas gordas opções da moda, ou alternativas, ou glamurosas, ou quaisquer outras escolhas mais fáceis de serem encontradas em tamanhos menores. Eles estavam nos encorajando a criar uma nova narrativa na vida real: exigir nosso direito de representação na mídia, de ter um tratamento justo no consultório médico, de acabar com o fat shaming no trabalho, de sair com quem quiséssemos sair, e vestir da maneira que quiséssemos.”

Diante dessa mudança no próprio comportamento da sociedade, Marie passou a se tratar com mais gentileza e se circundar de pessoas que também faziam e queriam o mesmo. A autora também começou a fazer coisas que ela antes imaginava não serem possíveis por conta de seus quilos a mais – a isso incluem atividades como viajar, comer sem medo, usar roupas incríveis e chamativas. “As roupas realmente me faziam sentir sexy, cool, atraente, e interessante, diferente daquelas porcarias que eu usava.”

A escritora diz que, para alguns, a relação entre moda e sexo pode não ser tão óbvia, a não ser que se pense em lingerie e outros acessórios mais sensuais, mas, para Marie, essa conexão não necessariamente precisa estar confinada à intimidade do quarto. “Na verdade, é sobre o que eu visto fora dele.”

Marie Southard Ospina

“Seja um vestido curto de cetim roxo, um casaco de pele falso na cor verde limão, um vestido formal justo, um moletom que realmente gosto, ou uma camisola vermelha feita de renda e decotes, meus looks podem servir da maneira que eu me sinto sobre mim mesma em qualquer dia. A indústria da moda plus size agora está longe de ser perfeita, mas poucos iriam negar que mais variedades de looks estão disponíveis em 2018 em comparação a 10 anos atrás – seja quando falamos de roupas ou de lingerie. Com a ajuda de lojas online, e especialmente marcas independentes, eu posso essencialmente me vestir da maneira que eu quero me vestir, e mais do que isso, eu posso me vestir para ser vista.”

 

Desse modo, todos os estilos que Marie vêm experimentando para si mesma têm sempre a ver com a importância de lembrar a si mesma de que ela merece conquistar seu próprio espaço, que merece ser adorada e de adorar seu próprio corpo, bem como permitir que outras pessoas a amem e que ela possa se sentir livre. “A parte engraçada sobre essa liberdade nas vestimentas, pelo menos para mim, é que isso se transformou também em uma liberdade sexual. O sexo já não é mais assustador, causador de ansiedade ou tenso. É barulhento, é divertido, é experimental e esquisito e excitante e me traz muito prazer. Em outras palavras, é muito como minhas próprias roupas.”

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