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Respeite as minas! Hoje é dia da mulher!

Quem nunca ouviu essa frase antes?
Eu fiquei refletindo esses últimos dias sobre o dia da mulher.
O tanto que eu queria mesmo é gritar: dia da mulher é todo dia! Respeito é todo dia!

Acordei com um trecho da música da Aretha na cabeça. Na música ela só pede RESPECT. Diz que dá tudo que tem em troca desse bendito.

Pensei muito sobre as relações hierárquicas que o patriarcado construiu pra nos desapropriar do respeito até por nós mesmas, colocando a mulher em lugar de menor importância. Alguém que não o merece, pelo menos até provar o contrário.

Com todas as informações sobre “empoderamento” que tenho recebido e pelo feminismo estar quente nas pautas da mídia hoje, o dia internacional da mulher tem representado algo importante pra sociedade.

Mas, no meio disso tudo, como eu, mulher, me sinto?

Me sinto meio cansada, pra ser sincera. Cansei de ser super mulher e não me sentir respeitada nos meus direitos básicos. Tipo: direitos sobre meu corpo.

Ao mesmo tempo que cansei, me sinto energizada, porque em meio a tanta ignorância que o machismo gera, tem minas muito incríveis fazendo um trabalho maravilhoso pra ajudar umas às outras a se erguer e a ganhar esse maravilhoso respeito que todas nós almejamos.

Mas quando falo em ganhar respeito, soa um pouco estranho. Pelo menos pra mim. Como se respeito fosse algo que se merece. E, na real, sinto que respeito simplesmente se dá, pela minha consciência de que pode ser só por aquele ser humano existir e estar compartilhando algo comigo, nem que seja apenas 5 min de conversa na fila do ingresso.

Meritocracia também é coisa do patriarcado, afinal.

Eu quero mesmo é ter uma boa vida em que eu seja respeitada pelo que sou, represento e vivencio. E principalmente quero me dar esse presente todos os dias.

Me respeitar quando meu corpo diz que tá cansado.
Me respeitar e dizer não quando o boy quer um carinho a mais no primeiro, segundo, terceiro date e eu não to me sentindo a vontade por qualquer que seja a razão.
Me respeitar quando quero dormir uma hora a mais no dia que to com cólica e sangrando a vida.
Me respeitar quando preciso chegar pra alguém e dizer onde são meus limites.
Me respeitar pra ouvir os sinais de que eu preciso parar um pouco pra respirar.
Respeitar o desejo de querer mais na vida.
Respeitar quando quero sexo 4 vezes por dia.
Respeitar quando to com um humor péssimo.
Respeitar quando quero MUITO um afeto.
Respeitar que eu tenho defeitos e que tudo bem. Existe beleza em tudo.
Respeitar que meu corpo talvez não esteja onde eu quero que ele esteja, mas que estou caminhando pra que mude, ou não.

Acho que quando o respeito vem de dentro da gente, ele acaba se refletindo ao nosso redor. Talvez em forma de salário. Talvez em forma de afeto. Talvez em forma de um sorriso de cumplicidade.

Desejo que neste dia internacional da mulher, e todos os outros dias, a gente possa se respeitar.
Bem phynas.


JULIANA LUNA 

Luna é estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural. Nativa do Rio de Janeiro. Estudou dança na UFRJ e na Germaul Barnes Dance company em NYC. Atualmente, mora entre os Estados Unidos e o Brasil e viaja o mundo criando experiências compartilhadas para pessoas de todo tipo de estilo de vida. Seus nortes são: intuição, sabedoria ancestral, conhecimento por experiência global e a arte dos turbantes. Em maio de 2015, foi convidada para uma viagem de reconexão com suas raízes ancestrais. Através de um teste de DNA, descobriu que seus ancestrais vieram da Nigéria, do grupo étnico iorubá. Por mais de 5 anos, trabalhou ensinando pessoas, principalmente mulheres, a fazer amarrações de tecido na cabeça. Em estilo africano. Há pouco tempo percebeu que isso faz todo sentido. Tudo está conectado. Vive de aprofundar seus laços entre o Brasil e a Nigéria. E este é apenas o começo da jornada.

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