Publicado em 1 comentário

“Somos uma resistência”: A música negra e independente da Carranca Records

A Carranca Records nasceu junto ao sentimento de poder ter uma maior gestão sobre o próprio trabalho de artistas como Akhim Nazareth, Larinu e Guzbeats. Hoje, com um catálogo de artistas que incluem nomes como Retângulo de Ouro, Banda Loma, Larissa Manoel, bem como a ATTICA!, banda de Akhim, Moti e GUTO, a Carranca se firma como uma resistência no cenário brasileiro de música independente, uma vez que o selo tem como foco a música negra e todas as outras vertentes em torno desta. “Somos de áreas variadas de São Paulo. Temos como característica a colaboração entre artistas, na qual todo mundo gere algum recurso para contribuir com o trabalho de algum artista do coletivo. Arranjamos lugares para gravar, para fazer show e promover outras ações com outros coletivos em São Paulo”, conta Larinu.

Juntas, todas essas cabeças criativas usam a música para expressar suas vivências e sentimentos como jovens que se conectam por terem uma preocupação com políticas raciais e sociais. “Temos conceitos políticos bem fortes e estabelecidos, no entanto, nossa preocupação maior é sempre a música. Antes de mais nada, somos um selo musical. Criar laços entre música e debates sociais é importante, mas não é exigência do selo”, explica Akhim, dizendo ainda que o rap nacional sempre esteve muito ligado com a política brasileira, então essa tendência acaba naturalmente fazendo parte da Carranca. “No entanto, queremos trazer na música novas percepções e experiências, tanto políticas quanto sonoras.”

É nesse sentido que o selo também explora outros gêneros musicais que vão além da música negra. A eletrônica, o trap e o grime são algumas das influências que Akhim aplica na ATTICA!, por exemplo: “Posso dizer que temos consumido muito rap de vertente eletrônica como Vince Staples, Danny Brown, Denzel Curry, mas também acompanhamos muito o cinema oriental de diretores como Katsushiro Otomo, Satoshi Kon, Mamoru Osshi e afins.”

No ocidente, com lançamentos como o filme Pantera Negra bem como uma maior conscientização sobre desigualdade e preconceito racial através movimentos sociais, os artistas conseguem ver uma abertura maior para seus trabalhos, porém não é tão fácil quanto pode parecer. “Talvez estejamos arrombando as portas. A oportunidade de se trabalhar e ter recursos para continuar fazendo música é muito escassa e ainda temos que ralar muito para chegar onde queremos chegar”, comenta Larinu e Guzbeats acrescenta: “Tem que gostar muito. Somos uma resistência. Sem gente como a gente, nossa voz é engolida.”

Para esse ano, a Carranca já tem um novo EP do DJ Guzbeats e da ATTICA!, além de um novo trabalho de Larinu a ser lançado. “A intenção é abrir cada vez mais os horizontes, principalmente em relação a trabalhos visuais”, indica Akhim. Com muita criatividade e produção na manga, contudo, os esforços de uma gravadora independente como a Carranca não se reserva aos custos de se produzir música, mas também a capacidade de alcançar e engajar o público. “Seria importante uma visibilidade maior não só para mim, mas para outros artistas do selo. Estamos fazendo nossa correria”, diz Larinu.

Acompanhe o trabalho da Carranca em suas plataformas:

Spotify   YouTube   Facebook   Instagram   Soundcloud   Bandcamp

 

*A foto do post é de autoria do fotógrafo Marcola.

Um comentário sobre ““Somos uma resistência”: A música negra e independente da Carranca Records

  1. Gostei muito!
    Voz suave,limpa. A voz e música se encaixaram harmoniosamente!
    Amei!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove + 13 =