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Taja Feistner: um modelo de moda sustentável

Quando pensamos em sustentabilidade na moda, muitas vezes esperamos que as marcas criem soluções inteligentes ou se manifestem a favor dessa causa. Mas também as modelos podem aderir a esse posicionamento, seja no próprio trabalho ao posar e desfilar para as grifes ou ainda criando sua própria linha.

Taja Feistner é um exemplo de quem resolveu extrapolar seu trabalho nas passarelas e nos estúdios fotográficos para lançar sua própria grife, Eka Minetta, que terá como foco criar roupas a partir de produtos reciclados – assim como a G-Star junto a Pharrell Williams fez ao criar jeans a partir de plástico reciclado.

Para Taja, a ideia de ser modelo deveria ultrapassar o sentido da beleza para se tornar uma referência, uma inspiração de posicionamento e estilo de vida. “Há tantas questões latentes neste mundo e todos são afetados de alguma forma por alguma coisa. Só precisamos estar mais confortáveis em começar a discutir.”

Depois de largar a faculdade de moda e se tornar modelo após uma agente descobri-la em um restaurante no qual trabalhava como garçonete, Taja descobriu a sustentabilidade quase que na curiosidade de quem cresceu nos anos 90 com todo o acesso à informação que se teve a partir da popularização da internet. Como consequência dessa sua dedicação, hoje a modelo cursa graduação em Políticas de Energia e Sustentabilidade pela Penn State University, um programa novo e que ela cursa remotamente.

A partir dos conhecimentos adquiridos na academia, Taja procura incorporar esse mindset à grife que lançará em breve já se focando na desinformação em torno do que é sustentabilidade, hoje. “Há muitas grifes dizendo serem ecologicamente corretas e que não estão fazendo mais do que algo convencional. Há tantas considerações desde a fábrica até a eficiência do transporte à embalagem e escolha dos tecidos”, diz a modelo. “A escolha dos tecidos tem sido um dos aspectos mais confusos, porque fibras naturais típicas estragam mais rápido ou são menos recicláveis do que tecidos plásticos sintéticos (os quais poluem os oceanos com micro-plásticos toda vez que são lavados). Tecidos que são uma mistura tendem a ser ainda menos recicláveis. Então, no fim das contas, o que realmente é melhor para o planeta: fazer um produto que pode ser facilmente reciclado ou produzir um que se decompõe mais rápido?”

Como uma forma de melhorar essa situação que mais parece um beco sem saída, Taja acredita que a solução está na educação e na transparência. “As empresas estão produzindo em países em que as economias retraídas são mantidas desse jeito para manter a qualidade de vida ocidental. Todos parecem estar ignorando os problemas relacionados a direitos humanos, poluição e lixo ou talvez eles não tenham informação”, ela argumenta. “Hoje o mundo está se movendo tão rapidamente que não temos tempo para pesquisar cada compra que fazemos e simplesmente não podemos imaginar o impacto ambiental de uma empresa.” Para Taja, se algum tipo de regulamentação existisse ou o uso de etiquetas informativas se tornasse obrigatório, talvez pudesse ser uma boa solução ao problema. “Nós não teríamos que pensar tanto e as empresas dariam um avanço em seu próprio negócio.”

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