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A semanas de moda de Paris e Milão estão carregadas de mensagens subliminares

Por Isabella Garcia

 

Mudança, transição, alternativa e substituição! Essas palavras definem a temporada de  Milão e Paris Fashion Week. Os desfiles vieram para nos lembrar que a moda não é só sobre lookinhos bafos. Ela diz muito sobre o comportamento humano e social.

Para falar desse assunto é sempre bom abrir mão do velho e chato moralismo. Não tem nenhum problema ser amante da boa moda, e principalmente das maisons de luxo. Elas existem há anos e são carregadas de histórias e simbologias. A alta costura é uma arte protagonizada por tecidos lindos e caimentos impecáveis.

Devaneios fashionistas à parte, temos que concordar que o mundo está vivendo drásticas alterações ambientais, políticas e sociais. Cobrar por mudanças, faz parte e é importante. Pessoas e marcas estão usando suas vozes para se posicionar e pedir um futuro diferente. Isso pode acontecer de várias maneiras. Alguns preferem gritar de forma escancarada, outros caminham discretamente, num universo cheio de reflexões.

Para o verão, Margiela usou a teatralidade para ganhar holofotes em seu desfile. Tinha freira, enfermeira e soldado. Teve homem desfilando de jaqueta de couro, cueca e bota com direito performance maluca. Nesse desfile, John Galliano homenageou mulheres e homens, de profissões muitas vezes desprezadas, que lutaram contra o fascismo e nazismo na segunda guerra mundial. Ele contou toda essa história sendo um bom alfaiate que corta blazers e jaquetas com louvor.

Gucci fechou a semana de moda de Milão com um desfile repleto de detalhes. A primeira cena foi bem impactante. Os modelos foram enfileirados em cima de uma esteira. Nesse bloco, Alessandro Michele apostou roupas brancas, que lembravam camisas de forças. Uma das modelos tinha escrito na palma das mãos “saúde mental não é moda”. Na segunda parte, os looks apareceram de forma mais sensual, com acessórios de renda, gargantilha, bodys e saia midi com fenda alta. 

Para a primavera 2020, a Dior trouxe um cenário que remetia a uma selva. Para isso, a Maison fez uma parceria com a Coloco, um coletivo britânico que trabalha com a reestruturação de ambientes no meio do caos urbano. Esse feat resultou em várias árvores plantadas no cenário. A label assumiu o compromisso de espalhar essas árvores pela cidade. Para esse desfile, Maria Grazia Chiuri apresentou roupas clássicas, gentis e belas. Vestidos estampados e bordados. Jaquetas quadradas. O clássico algodão cinza chiquezinho e uma breve aparição de uma camisa azul masculina. Aparentemente esses looks são bem clássicos. A estilista foi um pouco além e resolver deixar a peças mais modernas. Para isso, ela apostou em modelagens mais “práticas”.

As grandes maisons não vivem só de grandes conceitos. Prada deixou no ar a mensagem de que as vezes tudo que uma label precisa é fazer um desfile que vá resultar em vendas. Para isso, Miuccia apostou nos detalhes, roupas elegantes, muitas refs dos anos 50 e 70. O objetivo dessa coleção é dar protagonismo a pessoa e não a roupa.

Que a moda continue explorando novos pontos de contato e comunicando questões relevantes. Lembrando que o acervo da Bem Phyna está recheado de roupas das labels acima e você pode ter acesso a história de cada uma delas, longe das passarelas e com preços justos.

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